A FIV ainda é cercada por conceitos equivocados que se espalham com facilidade e, muitas vezes, aumentam a angústia de quem já está vulnerável. A ausência de informação estruturada, somada ao peso emocional da infertilidade, cria um terreno onde mitos ganham força. Por isso, compreender o que a ciência realmente aponta é essencial para viver esse processo com mais segurança emocional.
Um dos equívocos mais persistentes é a ideia de que a pessoa precisa permanecer deitada por longas horas ou dias após a transferência embrionária. A literatura científica mostra que o repouso absoluto não aumenta as taxas de implantação e, em alguns casos, pode até aumentar a ansiedade. O que se recomenda é apenas evitar esforços exagerados, permitindo que o corpo siga seu ritmo natural. Outro mito comum é imaginar que a FIV sempre gera gestações múltiplas ou envolve riscos altos. Protocolos modernos, como a transferência de embrião único quando indicada, tornaram o processo mais seguro, previsível e individualizado.
Também é fundamental esclarecer que a FIV não é restrita a um único tipo de família. Ela pode acolher realidades muito distintas, como casais heterossexuais que enfrentam obstáculos biomédicos, casais homoafetivos que necessitam de técnicas complementares como doação de gametas, mulheres que desejam ser mães solo e pessoas em tratamento oncológico que buscam preservar seus gametas para o futuro.
Essa diversidade é a prova mais clara de que a FIV não pertence apenas à medicina, mas a um movimento maior de reconhecimento e respeito às diferentes formas de viver a parentalidade.
É justamente nesse espaço emocional, onde dúvidas e sentimentos caminham juntos, que o AbraceFIV atua com sensibilidade e propósito. O projeto, que nasceu da dor e se transformou em rede de acolhimento e informação, trabalha para combater tabus, ampliar o acesso ao conhecimento e criar um ambiente seguro para quem precisa se sentir compreendido e respeitado. Ao falar sobre mitos e verdades, o objetivo é aliviar o peso da jornada e devolver às famílias a confiança de que é possível construir um caminho próprio, consciente e digno.